Gaia cria elétrico com foco empresarial

DCI – Duas tendências mundiais – energia limpa e uso de carro compartilhado – são apostas da empresa paulista para o lançamento, que será ainda neste ano, de seu novo automóvel de três rodas

Pouco difundido no País, os carros elétricos são a aposta da Gaia Electric Motors para se destacar no competitivo mercado automotivo brasileiro. Para sustentar o crescimento, a empresa pretende aproveitar outra tendência mundial: o universo dos veículos compartilhados.

Unindo essas duas tendências, a empresa acaba de lançar um veículo de três rodas, conectado à internet, que roda 200 quilômetros com apenas R$ 8 de energia elétrica. As primeiras unidades, que estarão à venda até o final deste ano, já contam com uma fila de 120 veículos com início das entregas previstas para outubro. “Na verdade nós não miramos o mercado particular, e sim o empresarial. Entretanto recebemos uma grande procura. Já temos 120 veículos na fila, de pessoas que pagaram a taxa de prioridade.”, comenta o CEO e Fundador da Gaia Electric Motors, Ivan Gorski.

Em seu site oficial, a Gaia Electric Motors tem disponível um sistema de pré-vendas, em que o interessando paga R$ 300 para entrar na lista prioritária e receber o seu Gaia ainda este ano. A reserva pode ser cancelada a qualquer momento e o reembolso solicitado.

De acordo com Gorski o universo dos carros compartilhados se encaixa no perfil do automóvel, uma vez que não possui chave física, apenas uma virtual que libera a porta mediante a interação no aplicativo da empresa. Essa chave pode ser compartilhada via e-mail e WhatsApp.

O veículo também é o primeiro a contar com um chip de internet integrado que possibilita uma série de usos para o carro. Uma dessas funções é a mobilidade compartilhada, que faz grande sucesso em diversas cidades do País, com as bicicletas e patinetes elétricos.

“Nosso objetivo é Business to Business. E futuramente, por exemplo, nós poderíamos fornecer para a Beepbeep os veículos da Gaia”, explica o executivo, fazendo menção à recém-lançada operação da Beepbeep, empresa de transporte compartilhado de veículos elétricos em São Paulo.

Ele avalia ainda que outro uso para o veículo sustentável seria dentro de empresas, na criação de um sistema de transporte com carros elétricos. O que, de acordo com Ivan, geraria uma economia de mais de 30% nos gastos com transporte, além de garantir para a empresa créditos pela redução de carbono. “A Gaia Eletric Motors nasce para acelerar a adoção do transporte elétrico. Levar para o mercado algo acessível”, detalha.

No âmbito particular é possível criar perfis de uso para o Gaia, em que o dono pode definir limites geográficos ou de tempo por usuário. Para dirigir o veículo é preciso ter habilitação para moto.

Operação física

A empresa espera inaugurar as primeiras lojas em breve, para que o público conheça o veículo de maneira mais detalhada. De acordo com contas fornecidas por Gorski, alguém que tenha um gasto mensal de R$ 1 mil com combustível passaria a gastar R$ 100. “O Gaia foi projetado para o interior do País. Para as cidades satélites, que correspondem a 75% da população brasileira. Por isso nós temos um mercado muito grande”, afirma.

O termo cidades satélites se refere a centros urbanos que estão localizados relativamente perto de centros urbanos maiores, mas que são essencialmente independentes.

“Eu notei que o mercado de veículos elétricos não existe nem na Europa, imagina então no Brasil. Com isso eu tenho uma janela de cerca de quatro anos para conquistar meu espaço no mercado nacional e Latam”, enfatiza.

Sobre os fornecedores nacionais o executivo lembra que o mercado automobilístico é formado em sua maioria por empresas já consolidadas há várias décadas, que tornou esta cadeia muito restrita e conservadora, além de incentivar a cultura de posse do veículo, não o compartilhamento.

“Existia uma grande barreira na indústria automotiva, pois grande parte da economia brasileira é proveniente de combustíveis fósseis, etanol e gás. Por isso nos beneficiamos com a legislação da indústria de duas rodas” destaca. A produção do veículo será feito na Zona Franca, em Manaus.

Por Caio Siqueira, Diário do Comércio e Indústria
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